segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Quando estás vestida,
Ninguém imagina
Os mundos que escondes
Sob as tuas roupas.

(Assim, quando é dia,
Não temos noção
Dos astros que luzem
No profundo céu.

Mas a noite é nua,
E, nua na noite,
Palpitam teus mundos
E os mundos da noite.

Brilham teus joelhos,
Brilha o teu umbigo,
Brilha toda a tua
Lira abdominal.

Teus exíguos
- Como na rijeza
Do tronco robusto
Dois frutos pequenos -

Brilham.) Ah, teus seios!
Teus duros mamilos!
Teu dorso! Teus flancos!
Ah, tuas espáduas!

Se nua, teus olhos
Ficam nus também:
Teu olhar, mais longe,
Mais lento, mais líquido.

Então, dentro deles,
Bóio, nado, salto
Baixo num mergulho
Perpendicular.

Baixo até o mais fundo
De teu ser, lá onde
Me sorri tu'alma
Nua, nua, nua...
Manuel Bandeira

2 comentários:

  1. "Se nua, teus olhos
    Ficam nus também"
    Que lindo isso! Amei. Aliás teu blog é lindo, belas fotos lindíssimos poemas. Muito bom gosto. Parabéns!
    Beijos

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  2. Manuel é um mestre.
    "Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
    Quero apenas contar-te a minha ternura."

    Bjo, boa semana!

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