segunda-feira, 2 de outubro de 2017

O Sapo e a Princesa

Era uma vez um sapo que habitava uma grande lagoa virtual e tudo corria bem, exceto
pelo fato de que o sonho deste sapo era ser o príncipe de alguém. O tempo foi passando, passando, passando,...
Mas eis que um dia surge uma princesa. Ela era linda e tinha todos os atributos que o sapo idealizava em sua princesa. Ela o instigava, tirava-o do chão e roubava-lhe o norte.
Mesmo virtualmente ela o beijou e fez-se a mágica. Ele virara príncipe. Escrevia com o coração sobre todas as coisas que desejava viver desde que era um mero girino. A princesa sorria pelos cotovelos, pois o agora príncipe dava-lhe a liberdade necessária para ser autêntica e expor tudo o que realmente desejava e esperava da vida. Era perfeito afinal.
E ambos viveram felizes para sempre!

Não!
Não viveram não. Infelizmente o ser humano é possessivo e quer para si tudo o que é livre. Não consegue conviver respeitando o espaço do outro. Faz-lhe mal qualquer demonstração de alegria, de vontade de brincar, de tudo enfim, se não estiver inserido no contexto e no comando do outro.
Triste, por não ser compreendido, o príncipe jogou fora seu chip, pegou sua caderneta de
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poemas e rumou de volta para sua lagoa. Ele percebera finalmente que lá, quase como um eremita, ele realmente fora feliz. Talvez nunca mais o fosse, pois desejara novos sabores, novas formas de amar e a princesa havia oferecido tudo isto à ele. Agora engoliria a seco tudo o que sonhou e passaria as noites coaxando para a lua de prata. Estava decidido e em seu coração anfíbio, nada nem ninguém poderia impedir-lhe de ser autentico, de desejar, de brincar e se expressar.
Voltara a ser sapo, voltara para beira da lagoa, mas voltara orgulhoso e mais sapo do que nunca.

A princesa tocou sua vida. Uns dizem que aprendeu a respeitar as individualidades, outros que era um mal incorrigível. Contudo, o que sabemos de fato, é que ela realmente o amou e talvez por isso, tenha respeitado sua decisão de partir.